
O Tribunal da Comarca de Luanda retomou na terça-feira o julgamento dos dois cidadãos russos e dois angolanos acusados de terrorismo, espionagem e crimes conexos, no processo conhecido como “Caso Russos”. A defesa tinha pedido para arrolar como testemunhas o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, os generais Higino Carneiro, Dino Matrosse e Lukamba Gato, o deputado Nelito Ekuikui, líderes de associações de taxistas e o governador de Malanje, Marco Nhunga. O coletivo de juízes da 3.ª Secção da Sala dos Crimes Comuns recusou o pedido, alegando que a defesa não apresentou fundamentos que justificassem a audição dessas individualidades.
Devido às cerca de 13 questões prévias levantadas pelos advogados, incluindo excesso de prisão preventiva e devolução de bens dos arguidos, o Ministério Público solicitou o adiamento da sessão para analisar e responder aos pontos. O tribunal aceitou e marcou a continuação para 14 de abril, sem que a acusação fosse lida. Os arguidos começam a ser interrogados esta quarta-feira.
O tribunal decidiu ainda manter apreendidos telemóveis e livros dos russos Igor Ratchin Mihailovich e Lev Matveevich Lakshtanov, por considerar que contêm provas relevantes. Durante a sessão, a defesa denunciou maus-tratos ao arguido Francisco Oliveira, secretário para mobilização da JURA, que teria sido transportado num veículo sem ventilação até ao tribunal. O jurista William Tonet criticou o processo e chamou o julgamento de “ação com fins políticos”. Um elemento da Embaixada da Rússia acompanhou a audiência no Palácio Dona Ana Joaquina.
Via: Novo Jornal
Por: Joel Capembe



