O surto de cólera no município da Lucira começou a ser combatido, na quarta-feira última, com a realização de uma campanha de vacinação, visando travar a cadeia de alto contágio no Namibe.

O director do Gabinete Provincial da Saúde explicou que a campanha vai durar cinco dias no município da Lucira e o foco são as crianças que constituem a maioria da população e, também, as mais vulneráveis.
Miguel Ferreira “Coríntio” informou que numa primeira fase estão disponibilizadas cinco mil doses de vacina para atender à população da Lucira. “Actualmente, a adesão da população é satisfatória”, disse, além de referir que no primeiro dia da campanha registaram a presença de mais de 375 crianças, de acordo com os dados do Departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias do Gabinete provincial.
A previsão, de acordo com Miguel Ferreira, é vacinar cinquenta por cento da população, para um universo de mais de nove mil habitantes. A província, adiantou, conta, ainda, com um cumulativo de 15 casos positivos de cólera, dos quais nove doentes estão internados e 5 receberam a alta médica. “Até ao momento, já foram vacinadas mais de duas mil pessoas”.
A administradora municipal, Marília Inácio, foi a primeira pessoa a tomar a dose como incentivo aos moradores do município afectado e prometeu trabalhar na desactivação de focos de lixo e garantir o cumprimento das medidas cautelares na localidade, onde foram já construídas 15 casas de banho públicas. “Vamos continuar com todos os métodos possíveis de prevenção para mitigar esta situação”.
O soba da região e também o primeiro cidadão infectado, Agostinho Carlos, depois de tratado e regressado ao convívio familiar, promete ser o activista principal de sensibilização das comunidades na luta contra a doença. “É preciso que todos estejamos unidos em torno de um objectivo comum que é lutar contra essa epidemia”.
O vice-governador do Namibe para o sector Político, Social e Económico, Abel Kapitango, que procedeu ao lançamento da campanha de vacinação, afirmou que o Governo não tem doses suficientes para toda a população, por isso, priorizou as crianças, por terem um sistema imunológico débil.
Para o vice-governador, é preciso que haja uma ampla campanha de sensibilização da população sobre a importância do saneamento básico. Abel Kapitango acrescentou que a vacina contra a cólera não pode ser a única arma de defesa contra a doença. “O saneamento do meio é indispensável a todos níveis. Todos temos que estar engajados na luta contra a cólera”, avisou.


