
A Administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o congelamento da emissão de vistos de entrada para cidadãos de 75 países, numa medida considerada a mais dura e abrangente já adoptada no domínio da imigração.
A decisão entra em vigor a partir de 21 de Janeiro e suspende, por tempo indeterminado, a autorização de novos vistos enquanto é reavaliada a capacidade de triagem dos candidatos.Segundo um memorando do Departamento de Estado, divulgado inicialmente pela Fox News, os funcionários consulares foram instruídos a recusar pedidos de vistos de cidadãos destes países até nova orientação.
Washington justifica a medida com a necessidade de impedir a entrada de pessoas que possam vir a representar um encargo para as finanças públicas norte-americanas.Na lista constam países da África, Ásia, Europa e América Latina. África é o continente mais afectado, com 26 países incluídos. Entre os países lusófonos constam o Brasil e Cabo Verde.
Curiosamente, Angola não aparece na lista, apesar de, na semana passada, os seus cidadãos terem passado a ser obrigados a pagar uma caução de até 15 mil dólares para obter um visto de entrada nos EUA.A exclusão de Angola poderá estar ligada a interesses geoestratégicos de Washington, sobretudo no âmbito do projecto do Corredor do Lobito, que visa facilitar o escoamento de minerais estratégicos provenientes da República Democrática do Congo até ao porto do Lobito. Este corredor é considerado essencial pelos Estados Unidos na actual disputa global por matérias-primas críticas para as indústrias tecnológicas.
Apesar de não constar oficialmente na lista divulgada, fontes indicam que poderá ter havido inconsistências na informação relativa a alguns países, o que não exclui eventuais revisões futuras. Ainda assim, para já, os cidadãos angolanos escapam à suspensão de vistos que afecta milhões de pessoas em várias regiões do mundo.
Por: António Tchiyambo



