
Um relatório recente do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) revelou que as instituições religiosas em Angola são as que mais negligenciam a inscrição dos seus trabalhadores no sistema de segurança social. De acordo com Anselmo Monteiro, Presidente do Conselho de Administração do INSS, esta situação coloca em risco o futuro de milhares de sacerdotes, funcionários administrativos e outros colaboradores do setor religioso.
Os dados referentes ao período de 2017-2025 mostram que grandes instituições como a Igreja Católica e a Igreja de Simão Toco estão entre as que menos cumprem com suas obrigações perante a segurança social. Apenas 6.259 membros do clero católico estão atualmente inscritos no sistema – número considerado significativamente abaixo do necessário.
Durante investigação realizada pelo Jornal OpAÍS, constatou-se que muitos trabalhadores religiosos – incluindo seguranças, pessoal de limpeza e cozinheiros – manifestaram receio de falar sobre o assunto, temendo estar a cometer “pecado” ao questionar os líderes religiosos. A maioria reconheceu trabalhar com vínculo laboral e salário, mas sem qualquer proteção social.
António Coxe, secretário da Pastoral da Arquidiocese de Luanda, confirmou a situação: “Passei a efectivo apenas no ano passado. Só os trabalhadores efectivos têm esse direito”, revelou, acrescentando que trabalha na Igreja Católica desde 2016, mas só começou a contribuir para o INSS em Janeiro do ano passado.
O INSS alerta que esta prática deixa os trabalhadores religiosos sem garantias para a aposentadoria, violando um direito constitucional básico. A situação expõe a vulnerabilidade de quem depende economicamente de instituições religiosas, muitas vezes optando pelo silêncio para preservar seu sustento e sua fé.
Fonte: Jornal “O País”
Por: Joel Capembe



