
No Japão, tirar uma breve soneca no trabalho não é necessariamente visto como falta de profissionalismo. A prática é conhecida como inemuri, termo que pode ser traduzido como “estar presente enquanto dorme”. Diferente da ideia de descanso prolongado, o inemuri refere-se a cochilos curtos, geralmente em posição sentada, sem que a pessoa deixe de estar disponível.
Especialistas em cultura japonesa explicam que, historicamente, o hábito passou a ser associado à dedicação extrema ao trabalho, sobretudo durante o período de forte crescimento económico do país nas décadas de 1970 e 1980. Em alguns contextos, um funcionário que cochila pode ser interpretado como alguém que trabalhou arduamente.
No entanto, a prática não é oficialmente “incentivada” por lei nem é adotada por todas as empresas. Grandes corporações e escritórios modernos podem ter regras próprias, e em muitos ambientes profissionais o comportamento ainda depende da cultura interna de cada organização.
Estudos académicos sobre sociedade japonesa e mercado de trabalho indicam que o inemuri é tolerado em determinadas circunstâncias, mas não substitui a exigência de produtividade e responsabilidade. Assim, embora seja culturalmente compreendido em alguns contextos, o cochilo no expediente não é um direito formal garantido.
A realidade mostra que o Japão continua a debater temas ligados à carga horária e ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, sendo o inemuri apenas um reflexo das dinâmicas específicas da sua cultura laboral.


